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Quem é Dory? Resposta rápida: Dory é quem faz o Emicida pirar no flow aí.

Ela destruiu em Selvagem. Pronto. Nem vou ficar titubeando muito porque foi o que rolou. Nascida em 85, Dory de Oliveira é MC que bate forte demais, simplesmente porque precisa fazê-lo. Desconfie de franco atiradores sem causa, James Deans das barras. Celebre MCs que, como diria o poeta, tenham algo a dizer. Dory tem.

Ela carrega na caneta e no flow a fúria e o crânio necessários para sobreviver nesse jogo. Tira um sarro quando é de tirar, cai no seu samba, olha tudo atenta sempre em aprendizado. E logo mais está a empunhar o microfone igual a garra de um pantera negra. Por isso vamos falar com ela hoje. Se liga:

Ronald: Você tá conquistando novos fãs com o passar do tempo. Fazendo música desde 2005, como é ver o fruto do seu trabalho?

Dory: Eu tive contato com o rap na adolescência. Mais só fui assistir um show ao vivo aos 14 anos, na escola aqui na minha quebrada. Era o Xis. Meus olhos brilharam naquele momento… então faço rap desde que eu tinha uns 16 anos. A evolução em cada ano é notável, eu amadureci muito a qualidade das minhas músicas e idéias. Isso atrai mais admiradores e críticos e acaba gerando boas parcerias. Eu estava sendo observada e nem tava ligada, óia! (Risos) Tem muita gente do Brasil que curte meu trabalho e até pessoas de fora já me deram um salve. Recebo várias mensagens da onde a minha voz tá chegando. Não sou famosa, sou uma artista periférica e independente, então a trajetória se torna dificultosa devido a falta de dinheiro pra investir de espaço, patrocínios e oportunidades. Só que algo que eu mantenho é a minha humildade. O respeito que eu trato quem tem carinho pelas minhas paradas… faz uma enorme diferença pois até gente que não é acostumada a ouvir rap escuta o meu, sem restrição de idades, é sensacional!

Ronald: Irado. E o que te empolga musicalmente no rap hoje em dia?

Dory: Ah, eu fico empolgada quando vejo uma galera mostrando seu talento… quebrando as regras que foram impostas e muitas que ainda são! É da hora ver a periferia gerando conteúdo em todas as áreas apesar dos pesares. Trabalho de qualidade feito pelos nossos me empolga igual uma feijoada na laje (Risos).

Ronald: E antes do rap a sua parada era o samba, né?

Dory: Sim, eu sou apaixonada por samba até hoje. Minhas primeiras referências foram Art Popular – LEANDRO LEHART É UM MONSTRO! -, Leci Brandão, Jorge Aragão, Jovelina, Bezerra. São vários… na adolescência antes de me aventurar no rap, eu cheguei a participar de um grupo de samba com os meninos da quebrada. São raízes periféricas que tem tudo em comum, então eu sempre busquei inspiração nas letras de samba, pura poesia, pra fazer minhas linhas em meados de 2007. Cheguei a gravar um samba rap “vambóra”  no estúdio Chatô Laboratório do Edmilson (d’Os travessos). DJ RM era o produtor na época e eu nunca lancei… acho que é um bom momento de restaurar esse som… quem sabe até buscar uma parceria do samba? Aceito indicações! (Risos)

Ronald: Vou pensar em alguém e te retorno… escuta, na sua lírica, você abraça várias bandeiras fortes e pesadas de carregar. Tem sido uma luta boa?

Dory: Nossa, é uma carga pesada. A luta é constante os inimigos estão sempre na espreita querendo um pé pra te derrubar. Ou esperando uma oportunidade pra fazer textão. Ser mulher preta, periférica, rapper e lésbica são bandeiras que a sociedade odeia, então eu tive que aprender a me impor, me defender e atacar. Eu transferi isso pras minhas letras e pro meu estilo de vida. Nunca quis me esconder: eu encorajo outras pessoas. Às vezes sou depressão mas também sou furacão! A meta é essa formar uma legião de pessoas brilhantes e corajosas!

Ronald: Qual é seu papel no Hip Hop?

Dory: Acredito que a artista “Dory de Oliveira” é uma figura importante e que contribui muito com o movimento Hip Hop há um tempo. Porém só não tem a visibilidade que merece. Sempre digo que falta de talento não é… meu papel é fortíssimo. Costumo levar minha trajetória no rap como um filme: a sinopse é de uma menina periférica que descobriu que tinha talento em rimar, em viajar nas palavras, que tem a personalidade de Yansã e um diferencial marcante que é gostar de transformar tudo em poesia, e que apesar de todas as dificuldades, ela veio pra cumprir sua missão nessa reencarnação e contar a sua história!

Ronald: Como foi colocar na rua o single Selvagem? Como tem sido a repercussão para você?

Dory: Foi emocionante! A partir do convite do Emicida sem eu saber como seria o projeto, mas pelas palavras dele já senti que o bang seria pesado. Desde o dia da gravação da música, do desfile, do lançamento, até agora… o retorno está sendo positivo. Estar ao lado de grandes nomes do rap nacional faz muita diferença pra mim e pro meu trabalho. Com certeza “Selvagem” vai ser um divisor de águas. E que eu colha todos os bons frutos dessa obra magnífica sem me deixar envenenar pelos negativos do contra.

Ronald: Qual o próximo passo na carreira?

Dory: Estou com alguns trabalhos no pente e pretendo soltar nos próximos meses sons novos, participações, cyphers, clipes… E mais pra frente juntar tudo isso e lançar um lançar um DVD é meu sonho. Vai ter novidades te garanto!

A gente conta que sim, Dory. Voa! E você, leitor, escute Selvagem:

por Ronald Rios

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