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Foi com um pouquinho de timidez que o Rubel chegou ao Emicida. Enquanto vinha criando “Casas”, seu novo álbum, o músico carioca andava para um lado e pro outro com a discografia de Emicida em seus headphones. E ali começou a montar “Mantra”. A primeira obsessão eram os tambores, foi onde nasceu a música. Todo resto é construído ao redor deles. Acordes, metais, vozes e o boom bap pique Q-Tip vieram como rico acompanhamento os tambores africanos tão conectados ao som que Emicida trouxe no aclamado “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…” numa canção de nome “Mantra” que Rubel deixou para sua livre interpretação de cenário, em que esse mantra pode ser sua conexão com Deus, com sua família, com um amigo, com o mundo, mas com uma mensagem central: manter-se forte na caminhada. O que o Rubel não esperava é que a música enviada ao Emicida, com o espaço certinho para ele – quem sabe – encaixar seus versos ganhou o coração dele já no refrão: “Não me deixe esquecer que a gente não precisa de nada.” Aí o Zica se emocionou e só tentou retribuir o sentimento ouvido em forma de rimas. Confira esse bate-papo que tive com os dois músicos:

Ronald: Como foi colaborar com o Emicida?

Rubel: O Emicida era uma das principais referências quando eu tava gestando o disco, lá no comecinho do processo, ainda buscando a cara e a sensação das músicas. Colocava os discos dele pra tocar e ia pra rua, ouvir e viajar no que ele tinha feito, nas histórias que ele contava, naquelas vinhetas faladas, nas histórias que eu mesmo queria contar. Ainda faço isso, na verdade. Fiz muito com Pantera Negra, de colocar no fone e ir pra rua, andar e ouvir no repeat. Agora imagina só ter esse cara, que é sua referência musical, e em outros vários sentidos, cantando no teu disco? Não imaginava. Vou rasgar ceda aqui, sim, porque sim.

Corta pra meses depois: eu tomo coragem pra mandar a música pro Fióti. O Fióti me responde que o Emicida gostou e que ele vai me entregar a música na segunda-feira. Eu acho que é piada, papo de carioca. Sorte que o Fióti é paulista. Na segunda de manhã, eu abro o instagram, e vejo uma foto do Emicida no estúdio, na noite anterior, com o braço pro alto e a legenda “Glorificando de Pé.” Aí fudeu. Algumas horas depois eu recebo o arquivo com a voz do Emicida isolada, aquela mesma voz que eu já tinha ouvido tantas vezes na construção desse disco e da vida, “Somos poeira das estrelas, nada além, frutos do acaso, soltos no tempo como nuvens”. Fiz o que? Deu só pra chorar. Como foi colaborar com o Emicida? Foi louco.

O carioca Rubel acaba de lançar álbum novo: “Casas”

Ronald: Como foi passar de inspiração pro álbum todo a ser de fato um participante ativo da obra do Rubel?

Emicida: Me sinto homenageado, lisonjeado pra caramba ao saber disso. O Fióti conhecia mais o som do Rubel, eu conheci há menos tempo e conheci da maneira certa: a música dele também me ajudou em um momento difícil.

Ronald: Quem produziu o som?


Rubel: Eu produzi junto com o Martin Scian, um argentino estudioso de Física e de Engenharia de Som que há alguns anos abriu um estúdio aqui no Rio, o Espaço Sideral.

Ronald: Rubel, cê optou por um boom bap misturado com uns tambores de música afro. Como essas duas sonoridades vieram na sua cabeça?

Rubel: A ideia dos tambores veio desde o início. Essa música é uma reza, um pedido de proteção. E eu tenho uma relação breve, mas forte com a Umbanda. Gravamos com três percussionistas que trabalham direta ou indiretamente com a Umbanda, e isso virou a fundação da música. A partir daí foi um processo de uns seis meses e muitas, e muitas, e muitas gravações e regravações até chegar no boom bap.

A gente tinha esses tambores (gravados fora do click e depois passados no flex compasso por compasso, para poder receber um beat), mas não sabia como construir a música em cima. Tentamos recortar um bumbo do marvin gaye, com uma caixa louca de outro lugar, pegar uma agogô do Gil, mas não funcionava. Gravamos uma bateria de verdade, mas também não funcionava. Tentamos de tudo e a música não acontecia. A única coisa que prestava eram os tambores. Até que eu achei um loop de bateria de uma música dos anos 70, sampleei, e a música pegou fogo. Me lembrou um pouco de A Tribe Called Quest, aquele sample duro de bateria com um baixo acústico e tudo mais. A partir daí, gravamos todos os outros instrumentos e a música aconteceu.

Ronald: Essa pegada forte da África que essa música carrega é algo que tem rolado bem mais na nossa música pop jovem e você incorpora isso há muito tempo, Emicida. Se sente um pouco responsável por trazer esse som africano, que tá caminhando para ser a música popular brasileira do século XXI?

Emicida: Eu acho que esse é um caminho involuntário na música e na arte feita no Brasil. Nem acho que é uma responsa minha não. Djavan e Martinho da Vila já estavam cantando essa jogada a décadas atrás – isso pra dizer alguns dos mais conhecidos. A África é mãe de algumas das nossas características mais interessantes. É impossível que isso não apareça na nossa música.

Ronald: O tema da música, você fez a letra primeiro e mandou pro Emicida ou fez a letra do redor do verso dele?


Rubel: Eu queria mostrar serviço, pai. Mandei tudo bonitinho, o arranjo todo gravado, a letra caprichada, já mixado, pra ele ouvir e no mínimo respeitar meu trabalho. Deixei só um espaço vazio no final, quando o bicho tá pegando, com as cordas e os metais e o coro, pra, se tudo desse certo, ele entrar.

Emicida:  Ela saiu quase que um freestyle, porque a emoção que ela despertou em mim foi profunda e eu precisava ouvir o que ele estava dizendo ali. Então eu só me concentrei em organizar os pensamentos e registrar.

 

Ronald: O que você quer que essa música signifique pras pessoas? Ela fala muito com o brasileiro no corre…

Eu queria que significasse alguma coisa especial e particular pra cada pessoa. As músicas que mais me tocam são específicas o suficiente pra dar o papo, mas abstratas o bastante pra cada pessoa se apropriar dele e projetar sua própria história. Foi um pouco isso que eu tentei fazer, e acho que é isso que a rima do Emicida também faz nessa música: ela dá o papo mas te deixa livre pra interpretar a partir da sua própria experiência.

Por exemplo, o primeiro verso é “Ó meu Pai, se tu existes” fala um pouco sobre uma relação ambígua que eu tenho com Deus, que é uma fé absoluta de que ele existe, junto com uma desconfiança racional de que não faz nenhum sentido ele existir. Quando minha irmã ouve, ela associa diretamente ao nosso próprio pai, que faleceu há pouco tempo. “Ó meu Pai, se tu existes”. Será que você tá aí ainda, em algum plano, olhando pela nossa família, ou que você já partiu daqui de vez? E essa interpretação dela é mais bonita ainda.

Agora, mais especificamente sobre o que tá dito e colocado ali, pra mim, é um pedido de proteção, para ficar firme no meu caminho e no que eu acredito que seja meu propósito. E mais pro fim, um pedido de proteção aos mestres e fundadores da nossa música, para que eles olhem por nós, para quem tá fazendo música agora, e nos ajudem a levar essa música adiante, nos ajudem a honrar a tradição. Mas o que eu acho mais bonito é cada pessoa fazer o que quiser com isso.

Ronald: E você? Essa música é pra quem, Emicida?

Emicida: Essa música é para mim. No dia que ouvi ela, eu estava péssimo. Tinha recebido uma notícia muito ruim, um problemão na vida pessoal. Sempre tem mil tretas mas de repente aparecem umas que são ultra inesperadas e nesse dia eu havia sido pego por uma delas, uma péssima. O Evandro (Fióti) me mandou o som por WhatsApp e eu nem sabia que era pra eu fazer um verso nela. Às vezes ele me manda sons pra que eu conheça e eu achei que fosse isso. Quando o Rubel falou “não me deixe esquecer que a gente não precisa de nada”, eu caí em lágrimas, mano. Que barato foda é a música e sua força salvadora! Eu me senti abraçado ali, enxerguei um norte e levantei a cabeça refletindo melhor. Eu devo agradecer ao Rubel por esse som e pela oportunidade de cantar nele. Ele foi um raio de sol na minha tarde que estava nublada e triste. Se em algum momento minha música fez bem pra ele e o salvou, ele pode se considerar vingado (encerra Emicida, dando risada).

Ronald Rios

 

 

 

Dia 10 de maio o Emicida volta a Porto Alegre para tocar no palco do Opinião, por onde já passaram vários monstros da música brasileira e gringa. Para já dar um salve pro público da cidade e adjacências, Emicida fez um freestyle, ali em casa, no celular mesmo – mais freestyle impossível – com uma porrada de curiosidades e fatos da capital gaúcha. RAP SKILLS é pra quem  Clique aqui para comprar o ingresso. Agora aproveita o free, vai:

 

Mais um episódio de “NÓIZ com Emicida” na área. Hoje, Emicida e Ronald Rios falam sobre como foi a recepção da primeira mixtape dele “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida Até Que Eu Cheguei Longe” e entrevistam o rapper niLL que lançou seu primeiro CD “Regina” ano passado e vem colhendo os frutos disso.

Direção geral: Ronald Rios
Direção técnica e edição: Toni Laet
Arte da logo: André Juventil e Emicida

 

Salve! A turnê nova “10 Anos de Triunfo” tá chegando em poucos dias mas não poderíamos encerrar a turnê do “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…” sem passar os olhos sobre o que foram esses quase 3 anos de música nos palcos do Brasil e do Mundo! Cola com a gente, pique Telecurso 2000, pois é hora da revisão:

Diretor: Ronald Rios
Câmera: Jéssica Matoso
Editor: Toni Laet

Rappin Hood e Emicida fizeram uma conexão entre a São Bento e a Santa Cruz: o primeiro local é o berço do Hip Hop em São Paulo. Break dancing, batidão nas latas de lixo e várias lendas do rap se conheceram ali, fazendo do local faísca do som que seria a revolução cerebral das periferias brasileiras. A Santa Cruz é o ponto de encontro semanal – faça sol, chuva, natal, ano novo e o que mais for, nunca pára! – dos freestyleiros que querem batalhar nas rimas. É muita criatividade transbordando naquela saidinha do metrô. Dali vieram vários nomes fundamentais pro Hip Hop, como Rashid, Marcello Gugu, Projota e Emicida. Foi ali que o movimento se reinventou e ganhou oxigênio de monte. MC’s novos saem de seus estados apenas para conhecer a icônica localização e poder batalhar no celeiro.

“Da Estação São Bento Ao Metrô Santa Cruz” é uma declaração de amor crua, sujona, bem maloca mesmo, a esses dois locais que fizeram, fazem e sempre farão parte vital do mapa do rap brasileiro. É uma aula de história do rap em quatro minutos e meio ministrada por dois mestres consagrados na cultura, mostrando que o tempo é só um detalhe. Estamos todos juntos. E esse monte de rap foi em cima duma base clássica boom bap dos rueiro dos anos 90 feita por nada mais nada menos que – descanse em paz, monstrão – DJ Primo!

 

Confira a entrevista que eu fiz com eles sobre a canção, o valor do Hip Hop em suas vidas e a como duas estações de metrô mudaram a história da música brasileira.

Ronald: O que a Santa Cruz representa pra você?

Emicida: A Santa Cruz foi – e é -, um ponto de colisão de universos. Manos e minas de várias quebradas encontraram ali um jeito de duelar na rima. Aquilo não era uma tradição comum em São Paulo. Quer dizer, você tem duelos de repentistas, tinha eventos pontuais onde aconteciam batalhas de MC’s, mas de forma fixa, semanal, num tinha nada pra nóiz. Então foi ali que uma semente foi plantada e a primeira leva de MC’s, tipo eu, Marcelo Gugu, Rashid e Projota, que batalharam ali, acabaram transformando aquele lugar num templo. Depois outros grupos foram dando continuidade àquela parada sagrada que estava acontecendo e assim segue até hoje.

Ronald: E a São Bento pra ti, Hood?

Rappin’ Hood: Minha grande escolinha, né? Onde tive oportunidade de ter contato com toda a velha guarda do Hip Hop brasileiro. Os grandes mestres: Nelsão, Região Abissal, JR Blow, Thaíde e DJ Hum, MC Jack, Código 13. Essa rapaziada, o primeiro time. Pude aprender bastante com eles. São Bento é a escola em que eu fui matriculado.

Ronald: O que o Hip Hop fez por vocês?

Emicida: O Hip Hop salvou minha vida. O hip hop e as histórias em quadrinhos me fizeram ser o que eu sou hoje: aprendizado e compartilhamento.

Rappin’ Hood: Fez muito, muito por mim. Eu não tenho nem como agradecer. Mudou minha vida. Minha vida poderia ter sido outra coisa. Eu poderia ter ido prum lado muito ruim, crime, drogas… o Hip Hop me salvou. É tudo pra mim. Transformou minha juventude e a de muitos. Vejo que hoje ele tá atingindo um grau diferente. Durante muito tempo ele foi muito forte pra juventude de periferia. Hoje eu vejo ele nas faculdades… garotos de classe média alta fazendo rap também. Isso é ótimo, por que não? Bandas de garagem de rap, Hip Hop. É importante falar com todos os públicos e cumprir a função dele. A função que Afrika Bambaataa pregou. Eu acho incrível o Hip Hop em todas as esferas. É bom quando a gente transforma da seguinte maneira: dá voz, esperança eforça pro jovem de periferia. E também dá consciência ao jovem que vem de uma outra classe social. Aprendizado pros dois lados é importante. Da hora isso.

Ronald: O que eu gosto nesse som é que é um rap mais direto. Cêis quiseram resgatar esse som mais “ruas de Sampa”? Largado, mais sujão…

Emicida: Tem um lance foda aí que é uma batida do Primo (falecido em 2008), então é uma homenagem também. Quando o Hood me falou isso eu fiquei mais feliz ainda porque a perda de um dos maiores DJ’s que tínhamos foi um baque que nos deixou deprimidos. Queria homenagear ele.

Rappin’ Hood: (Rindo) Na verdade, Hip Hop puro, né? Puro Hip Hop do jeito que ele é. Beat e rima. Boom bap, é isso aí! Essa base foi feita pelo grande Alexandre Muzzillo Lopes, nosso querido DJ Primo. Trabalhou como meu DJ por alguns anos. A gente teve chance de fazer alguns trabalhos juntos. Essa base era uma que a gente separou pra quando fizéssemos um disco juntos. Grande DJ Primo.

DJ Primo – Foto: UOL

Ronald: E como foi colaborar com o Hood, Emicida? Um cara que você devia ver na TV quando criança…

Emicida: Um sonho. Hood é uma das minhas referências. Direto cantamos músicas dele no show e fazemos homenagens ao Posse Mente Zulu. Ele e o Jhonny MC são caras importantes demais pra nossa música. Eu chapava no som do Hood desde que conheci, acho que ele elevou o nível com Sujeito Homem Vol 1. Aquilo ali é um dos discos mais importantes do rap brasileiro.

Ronald: E aí, Hood? Como foi trampar com o Emicida?

Hood: Foi bem legal! Eu já observava o trabalho dele desde a música “Triunfo”. O primeiro cara que me falou dele foi o Ary do Placa Luminosa. Depois a gente se conheceu, ele apareceu nos bastidores do “Manos e Minas”, no tempo que eu apresentava e a gente trocou ideia. Eu saí tocando a música dele na rádio assim como o Primo tocou nos bailes. Um grande talento, um grande MC que estava chegando, despontando. E agora taí consagrado um dos monstros do rap brasileiro.

Ronald: Emicida, você é um rapper que sempre presta reverência as gerações anteriores. Acha que o MC’s de hoje em mais evidência esquecem a gênesis da cultura?

Emicida: Se você não quiser se perder é importante que você lembre de onde veio, por isso gosto de lembrar de quem veio antes, até porque amanhã o “ontem” serei eu e eu não quero ser esquecido. Quero criar uma cultura de gratidão e reverência a nossos ídolos enquanto eles ainda estão aqui. Ao reverenciar meus mestres, mostro pros meninos que estão chegando que isso não começou ontem, que tem uma história e que a gente precisa cuidar bem da nossa história. Sobre os MC’s de hoje fazerem isso pouco, eu nem acho que seja maldade ou esquecimento… é uma coisa de desconhecimento mesmo. Infelizmente é uma história pouco contada e nesse aspecto nem dá pra odiar quem não a conhece. O que podemos fazer é compartilhar ela e torcer pra que chegue aos corações com a intensidade que chegou aos nossos.

Rappin’ Hood: Acho muito legal quando é natural. Sempre foi natural do Emicida, sempre me tratou com respeito e a recíproca é verdadeira. Acho da hora o trabalho dele, da geração dele. Gosto pra caramba de Rashid. Acho legal o trampo dele. Curto os 3 Temores, pô! Essa geração tem muito a mostrar, muito a trazer pro rap, a geração das rinhas. Acredito muito nessa rapaziada. Marcello Gugu, Flow MC, Bivolt, rapaziada que tá no meu coração. Flora Matos sensacional, Bitrinho, rapaziada do Damassaclan também, acho legal. Por mim sem problemas essa rapaziada mais nova aí. Os meninos do Costa Gold a gente conversa também, sem problema. Alô Nog! Meu sonho é ver um festival com a única escola: que somos todos nós juntos. Racionais, MV Bill, Dexter, Hood, RZO, Haikaiss, Emicida, Projota, Rael… todo mundo junto seria ótimo.

Ronald: Quais os planos do Hood?

Rappin’ Hood: Eu não sou um cara de muitos planos, costumo ir vivendo. Deixo o barco correndo e vou junto com ele – mas com objetivos, com focos. Meu objetivo é não parar mais de gravar – não ficar mais tanto tempo sem gravar, sem lançamentos. Tô feliz, é uma nova fase, nova gravadora, nova oportunidade de continuar trabalhando. Também trazer trabalhos, sons que estavam guardados. Não só meus, mas dos meus parceiros: Lil MR, Jhonny MC. Posse Mente Zulu. Tamo aí de volta. Nunca parou mas deu uma reciclada. Esse é o plano: continuar trabalhando e colocando músicas nas ruas. Alô 4 Naipes (Grupo formado por Hood, Sandrão do RZO, Sombra do SNJ e Tio Fresh do SP Funk), num esqueci de vocês! Esse projeto também eu tenho muito carinho. Esses são meus planos: continuar trabalhando e ativo no Hip Hop. Ainda me considero um cara novo, posso produzir muito no Hip Hop. Quero deixar também um aviso: sou rapper. Vou continuar rapper. Existem especulações sobre idas pra cargo político. Ainda não é a hora. Continuo rapper, continuo firme. 2018 Rappin Hood está firme no Hip Hop brasileiro. Continuar trabalhando. Quero agradecer Emicida, Fióti, toda a rapaziada da Laboratório Fantasma, você também, Ronald. Sensacional. Obrigado, rapaziada. Vamos fazer de 2018 o ano do Hip Hop. Fé em Deus e pé na tábua.

Ronald Rios