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Inácio da Catingueira

18 de setembro de 2018


Com vocês, Inácio da Catingueira

 

Tom Jobim já havia dito que esse país não é para principiantes. Guarda uma das maiores desigualdades sociais do planeta, uma complexidade étnica única, uma identidade muitas vezes confusa e senso de comunidade próximo do zero, com exceção dos momentos dos quais a seleção brasileira vence.

Nesse contexto, caminha quem consegue encontrar alguma solidez onde possa colocar os pés. A despeito desse caldo complexo, o século 21 traz arapucas digitais que foram muito bem armadas ainda nos tempos analógicos.

Durante muito tempo, observei com respeito a voz de quem critica minha caminhada. A maturidade me fez, me obrigou a fazer outras análises dessas vozes. Retribuo o respeito das que me respeitam, afinal, respeito só existe se for mão dupla. Distorções canalhas, e essa é a palavra mais leve para descrever a atitude de grupos ligados ao que mais baixo existe na politica, produzidas com a intenção de confundir as audiências a respeito do discurso que proferimos e das ações que concretizamos, espalham-se como pragas. São o que se tem chamado de fake news, notícias falsas.

Grupos à direita e pseudo-militantes do campo progressista, esquerda, ou sei lá o quê, unem-se em seus discursos com a intenção de atingir uma caminhada que há 15 anos rompeu com as correntes da indústria fonográfica e hoje é copiada por essa mesma indústria, porém com personagens de pele mais clara e discurso mais brando. Os cães lacram, mas a caravana não para.

Inácio me inspirou por romper as correntes e trazer em si a dor e a delícia (se é que essa é a palavra certa) de transcender o senso comum. Muitos questionamentos vieram a mim, e eu, em meio a trabalhos, construções sérias e grandiosas para todos, problemas pessoais como qualquer ser humano e também envolto em meus sonhos, acabei deixando para responder em outro momento. Inácio parece uma resposta, mas é um convite à reflexão, sobre quem são os reais inimigos dos que dizem lutar por igualdade mas gastam seu tempo, munição e energia dando tiros em espelhos, que refletem a si mesmos. Em pouco tempo, nessa toada, seremos todos cacos e o triunfo será entregue de bandeja, a quem crê que o Brasil não precisa mudar urgentemente. Não derrape nas polêmicas.
Nossas vitórias iriam despertar muito ódio, sempre soubemos disso, estamos prontos para atravessar esse caos de pé, com elegância e cabeça erguida. Inteligência, respeito, afeto e compaixão, se fazem urgentes, o ubuntu é isso.

Assisti ao longo de minha trajetória, muitos artistas inspiradores serem atacados, desrespeitados por motivos sujos, intenções secundárias e argumentos rasos, com a intenção de se aproveitar da confusão de nosso panorama cultural e manter nossos irmãos e irmãs no lixo por mais 500 anos.

Esse tempo acabou. Acalme seus ânimos e volte pro front com uma mira melhor. De nada adianta ser uma metralhadora giratória se você estiver mirando em seu próprio pé.

Sejamos mais. Sempre.

A rua é nóiz.

Emicida.

 

Dias 1º e 2 de setembro, São Paulo recebe a banca lusobrasileira “Língua Franca”, formada pelos parceiros de longa data Emicida e Rael, que pegaram um transatlântico daqui a Portugal para se juntar à portuguesa Capicua. Da união saiu disco, fizeram show no Rock in Rio Lisboa e agora eles têm duas datas de show aqui em São Paulo, nos SESC São Carlos e Itaquera. O trio conversou brevemente comigo sobre o processo de composição do disco, sobre os talentos específicos de seus colegas e também a questão que deixou os fãs coçando a cabeça: “e o Valete?” Você lê tudo isso aqui agora. Mas antes, o serviço do pagode:

Língua Franca @ São Carlos

Dia 01/09, sábado, às 20h.

Sesc São Carlos (Av. Comendador Alfredo Maffei, 1985 – Jardim São Carlos)

Ingressos: R$ 30,00 / R$ 15,00 / R$ 9,00. Clique aqui pra mais info.

Classificação: 14 anos

Língua Franca @ São Paulo

Dia 02/09, (domingo) domingo, às 15h30

Sesc Itaquera (Av. Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1000)

Entrada gratuita

Censura: Livre

Ronald: O que foi mais divertido no processo de construção dessa banca lusobrasileira?

Emicida: O convívio. Poder estar ali com Fred, com Capicua… a Capicua, mano, que daora foi gravar com ela! O Rael eu já tenho intimidade com ele de vários estúdios mas eu sempre fico surpreso com o talento dele. A capacidade dele resolver “pá pum”, manja? As sugestões melódicas que ele têm acabam influenciando o jeito que todo o resto do time escreve. Mas duas coisas que eu vivi são curiosas.

Ronald: O quê?

Emicida: Primeiro foi viver uma residência de 10 dias pra fazer música. Eu ainda tive que sair rapidinho pra tocar na Hungria. Então foram pelo menos uns 6 dias ali, 100% no bagulho.

Ronald: E a outra?

Emicida: Isso vai ser paradoxal: pela primeira vez eu fui um funcionário de uma gravadora, porque o Língua Franca foi feito pela Sony Music de Portugal.

Ronald: Não foi feito pela Lab?

Emicida: A Lab teve um trabalho de curadoria, produção, desenvolvimento, mas em parceria com a Sony de lá. E pela primeira vez eu fui um funcionário na indústria da música. E eu achei isso muito legal…

Ronald: Por quê?

Emicida: Porque em geral aqui, mano, isso até ofende um pouco as pessoas, mas eu sou livre, né? 100%. Não que eu tenha sido preso no processo do Língua Franca mas era uma parada diferencial bacana você poder contar com uma direção artística, porque o Fióti estava ali nessa função, e em outras também. O feedback da rapaziada que trabalha na Sony Music foi bastante importante. Contar com esse entorno durante a produção do álbum foi não só fundamental, mas pessoalmente falando, pra mim foi muito divertido. Porque em geral a gente faz música aqui na Laboratório Fantasma seguindo única e exclusivamente os princípios do nosso coração, dos nossos valores. Foi isso que fizemos no Língua Franca também? Foi. Mas tinha uma parada profissional diferente do modo com o que a gente trabalha aqui. Eu achei que foi muito divertido ir lá porque pra mim foi tipo uma escola.

Ronald: Falar sobre uma faixa em específico aqui do disco, “Egotrip”. Ela é aqueles rap mais diretão, lembra coisa de mixtape. Pela natureza do projeto, com muitas cabeças, você acha que acabou rolando, numa faixa que você pega pra resolver, até mais liberdade do que no seu próprio disco por não caber dentro da narrativa que você quis contar? Porque por exemplo, a “Egotrip” é uma música que não cabe no “Sobre Crianças…”

Emicida: Eu acho que sim. Às vezes você tem um conceito e uma parada que é divertida de fazer como a “Egotrip” não cabe dentro dele. Essa música nasceu no finalzinho da gravação do disco. Eu tenho um histórico de batalha de rap, essa viagem de ficar mergulhando no próprio ego. Eu acho que controlo meu ego muito bem e dentro do estúdio eu sou livre pra soltar esse 100%. E essa batida (produzida por Kassin, NAVE Beatz e Fred Ferreira), pelamordedeus. Dá vontade de ficar rimando nela pelo resto do dia.

Ronald: O assunto mais delicado: o que aconteceu com o Valete que ele não está nesses shows com o Língua Franca em São Paulo como não esteve em Portugal, bem como a gente ouvindo o CD mesmo, percebe que ele está em menos faixas que os outros artistas?

Emicida: Mano, foram escolhas do Valete. Meio que condições dele. Eu imaginei que ele fosse participar mais, estar mais inteirado. Eu queria que a vivência tivesse sido mais profunda com todo mundo mas o Valete desde o primeiro dia se marcou como uma pessoa um pouco mais destacada, bem mais reservada, então ele acabou não participando desse processo com a mesma intensidade. Ele fez a parte dele separado, tipo, ok, é uma visão de mundo do cara mas isso é visível no disco. E nos shows também foi uma parada… pelo momento de vida, não sei, pela visão que ele tinha, acabou que ele optou por não querer participar de muitas coisas. Enfim, foi uma decisão que a gente respeitou. Só que eu, a Capicua e o Rael estávamos numa sintonia muito bacana e não queria deixar a parada morrer ali. A gente queria levar o projeto pra frente e é o que a gente tem feito.

Ronald: Capicua, seu flow é muito gostoso de ouvir, tem uma sonoridade redonda, tudo bem musical e cortando como faca. Como você moldou seu jeito de cantar rap?

Capicua: Com o tempo e com trabalho… acho que é assim com todo o mundo. Há um jeito natural, mas depois vamos limando arestas com a experiência, até atingir um estilo próprio.

Ronald: Suas letras são extremamente diretas. Rimar é uma experiência de libertação pessoal pra ti?

Capicua: Sim. É uma forma de catarse e celebração. Serve para digerir as coisas más e marcar as boas.

Ronald: Está empolgada pra estar mais em contato com o público brasileiro?

Capicua: Muito! Eu adoro o Brasil e voltar é sempre um presente! Mal posso esperar.

Ronald: Rael, eu acho “A Chapa é Quente” foda porque é aquele rap “Back and forth” de ter dois mcs um respondendo o outro ali, uma parada análoga à embolada dos repentistas. Daonde veio a ideia de montar essa com o Emicida?

 

Rael: A gente tava no estúdio, ali na linha de produção. Eu fiquei encarregado de fazer os refrões e as minhas partes. Chegou uma hora em que eu estava gripado e o Leandro começou a fazer “A Chapa é Quente” sozinho. Ele desenrolou sozinho a construção, eu só dei uma aparada ali no refrão, mas a composição é toda do Emicida.

Ronald: Teve uma diferença fundamental na composição desse disco por conta da noção que vocês enquanto artistas estavam criando algo intencionalmente pensado para dois continentes?

Teve uma parada de pensar nos dois continentes mas não dum jeito forçado “quero que pegue Brasil e Portugal”. Acho que rolou naturalmente, tipo “eu quero mostrar meu jeito de fazer rap”. Porque eu quero que Portugal conheça mais sobre a minha quebrada, sobre o jeito que eu falo, sobre as minhas gírias, porque existe uma grande diferença da “norte do Emicida” pra “sul do Rael”. Tem gíria que só se fala na ZN do Emicida, tem gíria que é só da minha quebrada. Tanto eu quanto o Emicida e a Capicua tentou trazer o máximo da sua realidade pra esse projeto, pra ser uma coisa para explicar de onde a gente veio e para onde vai. O Língua Franca é sobre compartilhar as coisas subjetivas.

Ronald Rios

 

A sociedade precisa escutar o que essas mulheres têm a dizer.” Fernando Sousa, co-diretor do curta.

Fernando Sousa e Gabriel Barbosa entraram numa missão difícil: contar o luto das famílias de vítimas da altíssima violência da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro; trazendo uma visão crítica sobre a atuação do Estado através de sua força policial na região, em especial sobre à violência contra o jovem negro.

É difícil ver esse filme sem se emocionar e ao mesmo passo, se revoltar. Não é culpa do filme, é da vida real. O filme só fez o que qualquer documentário bom faz: o serviço de traduzir com fidelidade a realidade do seu tema. Aqui no caso, a brutal violência periférica da Baixada Fluminense, que tem uma periferia igual à todas do Brasil.

Você sabe, o Edi Rock cantou: “periferia é periferia em qualquer lugar.”

Confira o trailer do filme:

Os diretores Fernando e Gabriel pediram à Laboratório Fantasma liberação para usarem a canção “Mãe”, do segundo álbum do Emicida, “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…” na trilha do filme. Tem tudo a ver mesmo. Parece que foi escrita para o filme. Trilha concedida e é uma honra estar envolvido numa obra tão delicada e real sobre o Brasil. Sobre a mãe que vê sua cria ir embora antes dela, quebrando completamente a ordem natural da vida, por conta de políticas truculentas e atrasadas. “Nossos Mortos Têm Voz” é isso. E hoje, você pode assistir a estreia nacional do filme no Canal Brasil, às 17:30. Com reprises dia 28/8 ao meio-dia e meia e no dia 2/9 às 8 da manhã.

A gente abriu espaço para descobrir algumas coisas com o Fernando, para você entender sobre, além do do processo do filme, também essa parte tão nefasta da história do Rio de Janeiro. Após a entrevista, sério, fique atento nos horários que passamos aqui, e assista “Nossos mortos têm voz” no Canal Brasil

Ronald: Da onde veio o estalo de contar essas histórias?

Fernando: No dia 31 de março de 2005, 29 pessoas foram assassinadas por policiais militares do 15º BPM (Caxias) que, insatisfeitos com a recente troca de comando do batalhão, se reuniram em um bar e em seguida saíram atirando a esmo contra pessoas com as quais cruzavam pelas ruas e comércios das cidades de Queimados e Nova Iguaçu. Trata-se da maior chacina que se tem registro oficial no Estado do Rio de Janeiro. A história da chacina da Baixada sintetiza de forma cruel o envolvimento histórico de agentes públicos do Estado na organização do crime na região, o que remonta ao período do regime militar. Foi durante o regime militar que se consolidou a atuação dos grupos de matadores e esquadrões da morte na Baixada, com recursos financeiros e humanos da ditadura. A ditadura civil-empresarial-militar foi fundamental para organização de uma estrutura que mais atualmente passamos a identificar como milícias. A organização da economia política do crime na Baixada Fluminense foi viabilizada através da atuação direta ou indireta de agentes ligados aos governos militares, na medida em que naquele período o regime favoreceu a projeção dos esquadrões da morte, seja fortalecendo a atuação desses grupos ou se apoiando na eficiência que eles tinham no exercício do controle político, econômico e social. Se pensarmos bem, é possível afirmar que a origem dos esquadrões da morte no regime militar e a atuação das milícias no regime democrático conformam a dimensão ilegal da atuação de agentes de Estado. A composição da criminalidade violenta na Baixada Fluminense conta com a participação de agentes das diferentes instâncias do Estado, seja do poder executivo locais, judiciário, legislativo e funcionários públicos da área de segurança. Todavia, a região acaba não ocupando a devida centralidade no debate sobre a implementação de políticas públicas na área de segurança na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Inicialmente, a ideia era produzir o documentário ao longo de 2014, pois a intenção era produzir um filme que pudesse ser lançado em março de 2015, ocasião em que a chacina da Baixada completaria dez anos. A produção do filme Nossos Mortos Têm Voz só foi viabilizada em 2017, através da parceria da Quiprocó Filmes com o Fórum Grita Baixada e o Centro de Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu, instituições que tem uma atuação de longa data na promoção e defesa dos direitos humanos na Baixada Fluminense. Desde a concepção do projeto, a proposta era que o filme contribuísse com a atuação e fortalecimento da Rede de Mães e Familiares Vítimas da Violência de Estado na Baixada Fluminense e que conferisse mais visibilidade para o grave cenário de violações de direitos humanos e de violência de Estado na Baixada Fluminense.

Ronald: O que foi mais difícil no processo de coleta desses depoimentos?

Fernando: São histórias marcadas pelo sofrimento e dor provocadas pela violência de Estado e esse tipo de violência não se encerra no ato do assassinato. Essas mães e familiares continuam a ser violentadas pelo Estado quando buscam o acesso à justiça nos diferentes órgãos do Estado. “Nossos Mortos Têm Voz” é um grito de dor e sofrimento, ao mesmo tempo em que presta uma homenagem à memória das vítimas da violência de Estado, mas é sobretudo um grito que sintetiza a luta pelo direito à vida. Infelizmente, convivemos com um modelo de segurança pautado pela lógica bélica e militarizada e as maiores vítimas da violência de Estado oriunda desse modelo são os jovens negros moradores de favelas e periferias. Tudo isso com o respaldo de parcela considerável de uma sociedade estruturada no racismo. O racismo cruel e violento e está em todos os espaços da nossa sociedade.

Ronald: Você e o Gabriel estudaram muito sobre o assunto. E conviveram com essas famílias. Durante o processo de realização do filme, vocês ficaram mais desesperançosos ou você consegue ver um cenário onde com as mudanças corretas, a gente evite que essas mortes aconteçam? O que a experiência te faz propor?

Fernando: Com relação à política de segurança pública, não temos como ser otimistas num contexto de intervenção militar federal no Rio de Janeiro. Essa intervenção segue o rumo de sempre ao empregar muitos recursos humanos e financeiros em operações em favelas e periferias, que acabam tendo como consequência mais violações de direitos e assassinatos de jovens negros. Eleita com mais de 40 mil votos, cinco meses depois não temos respostas sobre quem mandou matar e quem matou Marielle e o motorista Anderson. Esse caso revela que não há investimentos em inteligência que permita uma maior elucidação em investigações de casos de assassinato. Em 2017, 64 mil pessoas foram assassinadas em nosso país. Não vamos superar esse cenário de violência com um modelo de segurança pautado pela guerra aos pobres e negros. Apesar disso tudo, nossa esperança reside na força da luta das mães e familiares vítimas da violência de Estado na Baixada Fluminense, no Rio, Fortaleza, São Paulo e tantas outras partes do Brasil e do mundo. Essas mulheres precisam ser escutadas e as suas questões consideradas e respeitadas. Terminamos o filme com essa certeza. A sociedade precisa escutar o que essas mulheres têm a dizer.

 

Ronald Rios

Acordamos nessa última quarta-feira com uma série de tweets do Ministério da Cultura da Argentina, falando sobre o cantor e co-criador da Laboratório Fantasma, ao lado do Emicida, Evandro Fióti.

Como você viu nas nossas redes-sociais, a LAB deu um pulo ali em Córdoba, Argentina, pro Youth 20, encontro realizado pelo G20 (um fórum internacional formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia, a fim de evitar crises econômicas nesses países). O Youth 20 é focado no, como você já deduziu, jovem. Como jovens ao redor do mundo estão se movimentando e gerando novos caminhos dentro do empreendedorismo e como isso se traduz em avanços sócio-econômicos para suas nações.

O Emicida foi lá tocar para uma parte do público – aqui a gente faz música também, não se esqueça, em primeiro lugar! -, enquanto o nosso CEO Evandro Fióti foi participar dum bate-papo com a cientista e inventora canadense Ann Makosinski, uma jovem de 20 anos nascida em Vancouver. A roda de ideias chamava-se “Como se nascem as boas ideias”. Fióti falou um pouco da experiência:

“Conseguimos criar um diálogo que passou por diversos pontos: discriminação, processo criativo, complexidades de dar vazão a boas ideias em economias de países desenvolvidos como o Canadá e em países subdesenvolvidos, que é onde nos encontramos.”

Fióti estava lá representando a LAB, sim, mas principalmente o empreendedorismo jovem brasileiro, com toda sua gama de aspectos difíceis de traduzir pro mundo, o que acabou sendo parte da missão do Fióti em Córdoba. “Uma oportunidade especial de compartilhar um pouco do universo e as complexidades que a juventude empreendedora acaba tendo no Brasil.” – disse Fióti.

“Pude levar nossa experiência com empreendedorismo dentro do mercado de Hip Hop brasileiro para mais de 80 jovens das maiores economias do Globo. Foi muito importante para a LAB, pro rap brasileiro e também para nosso país.”

E o saldo do bate-volta foi mesmo positivo para Fióti: “Acabamos injetando ânimo em jovens de outras partes do Globo para que invistam, acreditem e façam seus sonhos se tornarem realidade, superando os diversos obstáculos que tiverem pela frente.”

Sobre falar para um público internacional, que não era familiarizado com a Laboratório, foi um ponto interessante na hora de dialogar: “O público presente não conhecia a história da LAB, mas conheciam o Brasil, então pude mostrar a complexidade de ser um jovem empreendedor oriundo da periferia de São Paulo. Todos tiveram uma boa recepção, interação e agradeceram por compartilharmos nossa história e trajetória. Foi um momento bem especial, emocionante, eu realizei um sonho. Não imaginei chegar tão longe, poder compartilhar nossa história no Youth 20 do G20 foi um marco na nossa trajetória, sem dúvidas.”

A procura por Fióti para palestras e mesas de bate-papo têm aumentado por parte da curadoria de eventos culturais e de empreendedorismo. Perguntado sobre o crescente interesse do mercado em ouvi-lo e sobre por que há tanto interesse em entender o “segredo da LAB”, Fióti sabe o motivo: “Pela inovação que provocamos no Mercado, nos tornando pioneiros e únicos. São poucas empresas de jovens negros oriundos da periferia que conseguem chegar tão longe como chegamos.”

Ronald Rios