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Salve, rapa. Ronald Rios na área. As geniais Ibeyi voltaram para o Brasil para fazer uns shows. Manja elas? Quem é fã, tá ligado. Quem não é, se liga: elas são umas das minas que aparecem nesse plano icônico do “Lemonade” da Beyoncé – as de vestido cinza e macacão vermelho.

Além de continuar a turnê do segundo disco delas, “Ash”, as minas gravaram um som com o Emicida. Sobre isso, só num futuro – próximo, torço! – poderei falar. Por ora, vamos falar do que rolou! Entre gravar o som e ir fazer o show, as meninas conversaram comigo sobre música, o poder da coletividade para combater o mal e sobre como foi colaborar com o Emicida.

Teve muita coisa da entrevista que não foi para vídeo e logo vem aqui pro blog em forma de podcast. Teve vários momentos em que as meninas arriscam o português, língua pela qual elas são apaixonadas e se depender de minha ajuda, um dia vão ser fluentes. Meu momento não documentado favorito é a hora em que a Naomi pediu para o nosso câmera para ela olhar o quadro e ver se ela estava fotografando bem. Eu mostrei para ela.

– Olha aqui.
– Será que eu tô gorda?
– Relaxa. Eu estou do seu lado… acho que por comparação…

Naomi começou a rir desesperadamente, mas morrendo de vergonha. Ria e ria – mas querendo muito controlar a risada. Eu cheguei a ficar com pena e disse: “Relaxa, está tudo em casa. It’s all love…” até ela ver que estava tudo bem mesmo. Aqui não tem erro, é Bonsucesso, pai!

Naomi é uma máquina de beats. Fica matutando batidas. No show ela toca uma MPC e um Cajón, aquela caixa na qual o artista senta e fica batucando no couro entre as pernas. Lisa é o gênio melódico. Elas no estúdio são incansáveis. Vão e voltam para a cabine, gravando camada sobre camada de voz. Colocando ad libs, inventando coisas novas. Elas têm cabeça de produtoras. Sabem para onde querem que a música vá – e estão o tempo dando e recebendo sugestões. Zero ego. E entram e saem do “modo estúdio” na hora que quiserem. Naomi faz mais palhaçadas, Lisa entra mais nas questões filosóficas. Inquietas, curiosas e criativas.

As duas são muito bem criadas e gerenciadas pela mãe, empresária e parceira de composição Maya Dagnino. A relação das três é bem curiosa. Manja o estereótipo que a gente tem de mãe/pai que fica em cima dos filhos artistas como um sanguessuga controlador? Maya é completamente diferente disso. Ela educou as meninas muito bem e ensinou bastante sobre música. Conversa com as filhas durante todo o processo criativo de igual para igual, sem pose. Parece uma amiga mais velha das duas. Mas quando você vê ela ajeitando o cabelo delas com carinho ou simplesmente falando das meninas com um brilho no olhar, você sabe que ali é a mamãe, não mais a colaboradora.

 

Eu perguntei para elas se agora, mais próximas do mainstream, como elas estão lidando com a fama, uma vez que ela pode ser um veneno doce e bagunçar a cabeça de alguém que não está preparado para um mundo propício a Gozolândia. Elas falaram que são cientes dos perigos da fama mas nunca tiveram nariz empinado por 3 motivos:

O primeiro é Miguel “Angá” Díaz, pai delas que faleceu quando elas eram pequenas ainda. Era um músico talentosíssimo, membro da classe A (lição de casa hein para vocês hein!) Buena Vista Social Club. “Ele era um homem que falava com qualquer pessoas, não importa quem fosse. Então se ele, um gênio musical no qual nunca vamos chegar aos pés, era humilde – quem somos nós para ter nariz empinado?” O segundo motivo: a mãe. Elas falaram que na primeira tirada de pé do chão, a mãe tá pronta para chamar ali no canto na hora. E o terceiro é avaliação recíproca: elas se vigiam. Quando uma vê a outra chegando perto de vacilar, já corrige.

É um sistema de segurança sólido e leve, baseado na confiança. E confiança é o que elas mais transmitem. São criativas como crianças soltas mas confiantes como mulheres decididas que são.

Para quem não conhece as letras, o conteúdo de “Ash”, segundo disco delas, é mais político, global do que o primeiro trampo homônimo. Eu perguntei se existe isso de “artista politizado” ou se é simplesmente impossível não ser politizado e  não reagir ao mundo que vivemos. Com a palavra, Lisa:

“Eu acho que é impossível não falar dos problemas do mundo. Especialmente se você quiser falar com o mundo. Nosso primeiro disco é mais sobre a gente, nossa vida, nossa família. Nesse segundo… a gente queria sobre o mundo de hoje sob nossos olhos. O mais importante é falar sobre o que você sente, como música. Fazendo isso, você tocar alguém sempre.”

A colaboração com o Emicida nasceu de duas coisas: o amor de Naomi por Hip Hop (“Eu sempre quis gravar com um rapper”) e o amor recebido dos fãs brasileiros no primeiro show que fizeram aqui. Elas estavam conversando com um brasileiro que conheceram em Miami: “A gente disse para ele que os shows aqui do Brasil foram os melhores da turnê e que era chocante o amor que a gente recebia do público.” disse Lisa. Naomi completou: “Quem são os bons rappers do Brasil?” e esse brasileiro deu na lata: “Emicida”.

O processo de gravação correu fácil. Elas receberam um beat e começaram a brincar com a melodia. A mãe rascunhou algumas letras. Elas passaram horas testando coisas diferentes no estúdio. Sobre o rapper: “É incrível fazer música com pessoas que te entendem. A coisa simplesmente flui como um rio.”

Eu tinha que perguntar sobre Beyoncé, lógico. As minas tavam no clássico do “disco visual” Lemonade. E a Queen-B já havia apresentado o som das minas pro mundo inteiro – ou seus 111 milhões de seguidores – através desse post no INSTA:

💋

A post shared by Beyoncé (@beyonce) on

– Dá pra sonharmos com essa colaboração “Ibeyi ft Beyoncé”? – eu mandei.
– A gente sonha! – Naomi responde.
– Ela nos convidou pro seu fantástico Lemonade, ela disse que gosta da nossa música… – Lisa explicou.
– E que quer fazer algo… – solta Lisa.
– A gente nunca sabe! – Lisa declara num misto de entusiasmo e mistério.

Para encerrar, falamos de “Deathless”, uma canção muito forte do disco novo delas sobre um incidente que Lisa passou na mão de um policial: Ela foi presa num metrô em Paris porque um policial achou que ela estava traficando drogas numa estação. “Eu estava usando um cabelo afro e vestia um macacão. Isso bastou para ser uma suspeita.” É o momento que nossa conversa fica mais séria.

– Mas você não queria fazer uma música sobre isso, né? – eu perguntei.
– Não. Eu achava que minha experiência era muito pequena perto do que acontece com outros jovens pretos. Sabe, eu tinha visto na TV sobre um rapaz que foi estuprado.
– Eu soube que a Naomi te forçou a fazer a entrevista. Como foi essa conversa?
– Naomi me disse algo incrível: “Você não precisa ser estuprada ou agredida por um policial para poder falar sobre o que aconteceu comigo já ter sido errado.
– Isso já bastava.
– Exato.
– Mas sabe o que mais? É engraçado… porque “Deathless” é uma música mais sobre as pessoas que estavam ao meu redor naquela hora que ficaram paradas.
– Merda…
– “Deathless” é sobre todos nós que vemos algo acontecer e não nos movemos. Acontece com todos nós: a gente congela.

Mas como é comum na poesia de Lisa, ela vai de algo triste e revoltante para a esperança em 2 segundos:

– Nós temos força. Nós podemos mudar coisas. Podemos mudar o que acontece com alguém. Podemos nos levantar e fazer algo sobre isso. E é por isso que escrevemos “Deathless”, como um hino. Nosso pequeno hino.

Hino entoado mais tarde no Cine Joia, no belíssimo show delas antes de irem pro Rio de Janeiro e depois Argentina e Chile. O show ainda contou com a participação do Emicida numa música, deixando o público – e a própria dupla – em êxtase.

Assista ao vídeo da passagem dela pelos nossos estúdios com entrevistas e imagens de bastidores do show e da gravação da música nova – que eu juro que assim que der, vocês vão ouvir!

 


Ronald Rios

Falta menos de um mês para a estreia da nova temporada do “Papo de Segunda” no GNT. Eu vou integrar o time nessa temporada. Pega essa, rá! Dia 5 de março!

 

 

Salve, salve!

Emicida foi convidado a dar um pulo ali em Hollywood para assistir a pré-estreia de um dos filmes mais irados do ano – e definitivamente um dos melhores desde que a indústria voltou a investir pesado no potencial dos super heróis.

E a parte que deixou ele em choque: o cara trombou o Kendrick Lamar. Yeah, bish. Assiste aí!

O bicho pegou no Music Box!

8 de agosto de 2017

Saudações maloqueiras a todos…

Passei aqui rapidão pra falar do show de ontem no Music Box! Que show foda! Muito foda! Ingressos esgotados, plateia com uma energia incrível… um monte de brasileiro, português, caboverdiano, angolano, moçambicano etc., todos na mesma vibe se tornando um só, unidos pela música.

Preciso agradecer a cada um de vocês pela noite fantástica (inclusive ao pessoal que acompanhou e interagiu pelo Stories), aquilo foi como sonhar acordado e no coletivo, obrigado, rap, obrigado, rua, obrigado, Lab, obrigado, Lisboa. Qualquer hora passamos de novo por aqui, hoje o bicho pega no Kamio, em Londres, let’s go? #Ubuntu

Salve, rapa, demorei, mas voltei.
Os últimos dias foram corridos, ficamos trancados no estúdio montando e ensaiando o show para o lançamento do projeto “Língua Franca”, que ocorreu no festival SuperBock SuperRock na última sexta-feira (14). Foi foda (aliás, obrigado pela energia de todos), bem divertido!

De lá já voamos (literalmente) pra Frankfurt. De Frankfurt pra Koblenz, onde tocamos no festival Horizonte (fez 16 graus, ou seja, não me desrespeite chamando isso de verão, ok? Te amo, Cuiabá, vc sim sabe fazer calor). De Koblenz (no dia seguinte ainda estava frio) partimos para Düsseldorf.

Chegamos chegando e montando os equipamentos, pois o show seria em algumas horas. Baseados numa dieta de suco de maçã, pizza quadrada e um negocinho tipo Bavarian Nuts (mas sem o Bavarian, ou sei lá o verdadeiro Bavarian, por isso num precisa dizer que é Bavarian hahaha).

Mano, que show foda, Düsseldorf, foi emocionante, postei no Stories, foi muuuuito foda!
Ficamos o resto da noite por lá e seguimos rumo a Lisboa, que é onde estamos agora, fazendo algumas entrevistas para promover o próximo concerto, que ocorre no Music Box nesta quinta!

Vamo que vamo, quando cantar um wifi, eu chego postano!

Ubuntu!